sábado, 19 de janeiro de 2008

Saudade de alguém






Vem a voar, planar no meu céu,
Desdobra a folha do tempo,
Apaga os vincos nela marcados.
Vou esquecer a realidade e o frio
Nos teus braços abertos feitos tenda.

Zumbindo

Assim fica a minha colmeia perdida, colmeia de solidão feita de favos vazios, onde o mel ainda escorre pela parede e se perde.

E a colmeia é a alma, os favos os minutos,
o mel o pensamento e a parede a consciência!

Rotação da terra

Que flores tão frescas, que dávidas tão puras nos podem trazer as pessoas mais longínquas...

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Historinhas








Depois de uma nova verdade começa um processo de aceitação e assimilação...só depois, às vezes tão depois, essa verdade faz parte da nossa realidade!


Imagem de Júlio Vanzeler

É que

somos todos aprendizes.

Quem






pode e quer PARAR para ser feliz?

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Pling pling





Não me cortaram os pulsos,
é qualquer fuga invisível,
mas sinto-me a esvair....

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Não te perdi, nem te ganhei











Não te tenho para caminharmos lado a lado
Não te sinto para conseguir curar as saudades
Não te oiço para me deixar voar no timbre da tua voz
Não te vejo para poder ficar calma de ter tão perto
Mas ainda assim caminho contigo quando saio
Mas ainda assim as saudades acabam diluídas pela constância
Mas ainda assim ouço as palavras que seriam as tuas
Mas ainda assim a tua silhueta desenha-se nos espelhos onde me vejo
É certo que vivo satisfeita, só não inteiramente feliz

Para assumir como utopia


A perfeição é uma utopia, como a vida eterna.
Podemos nalgumas coisas ser eternos ou perfeitos, mas ainda assim de uma forma relativamente passageira e incompleta.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Des-cobrir e des-tapar

Rasgo o tecido onde bordei tardes a fio os meus sonhos, onde todas as cores e pormenores me saiam da alma, e que comecei era eu ainda uma criança!
E a cada quebrar de fibras cai uma lágrima no chão, a cada contorno perdido uma perda irreparável, em cada pedaço de tecido a lembrança do tempo desperdiçado.
Mas sei, entre soluços, que a insistência desesperada de alcançar que trazia o meu bordado vai dar lugar, não tarda, a uma serenidade. Vai-me deixar descobrir a brisa, sentir as cores que mudam ao longo do dia e então, suspirando, abençoar a hora em que numa fúria de dor destruí a imagem de tudo o que ambicionava e que era inocentemente tão incompleto!

Fui eu que os inventei sozinha, mas

não me tirem o meu sonho, não me manchem o meu céu, não me abanem o meu chão!

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Perguntou-me hoje uma amiga: Quando decides ser feliz?
- Amanhã?... que hoje não estou com estomago para isso....

domingo, 6 de janeiro de 2008

Solidariedade e algo mais










Completa a minha frase com um verbo,
Inteira a minha respiração com um suspiro,
Prolonga a minha pele com a tua mão,
Preenche a minha alma com a tua presença,
Ilumina a minha vida com um acompanhar.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Um dia bem passado

Vou pegar na minha embarcação, andar por aí e sem pressas de chegar, adivinhar os peixes, ver os reflexos do céu na àgua, nos lábios o cheiro a mar, ouvir a àgua a embalar o barco, voltar a cara à luz do sol que desce ao horizonte, respirar fundo, sentir o silêncio... mas mesmo antes da noite chegar eu vou voltar!

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Só por momentos














São ideias ténues, impetos adormecidos
Queria escrever num papel o meu destino
Mas nem sei bem onde ir, sinto-me despolarizada
Não reajo, não vou, não corro, não luto
Estou cansada e a aproveitar a calma
De caminhar numa planicie sem trilhos
Estranho sentir-me conformada, satisfeita
De andar assim, para a frente, mas sem destino

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Sento-me e sinto-me



É triste e ao mesmo tempo um alívio sabermos que o caminho é como nós não queriamos crer que fosse.

Tocaste-me








Tiraste-me aquela vontade de paz solitária que me abraçava,
Agora estou só e sem vontade de o estar!

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Desafios

O desafio lançado pelo tozribeiro deu nisto:
Descubro Portugal quando recordo a areia das praias da minha infância, quando as palavras que me digo são em português, quando sei que partilho emoções e histórias particulares deste país. Não preciso de visão, audição, de nenhum sentido exterior...só preciso de me sentir a mim para que exista Portugal!

A zero!










Passas um pano áspero no passado e ao fazê-lo apagas também os sonhos que trazias para o futuro.

Revisão anual obrigatória



Está na altura da revisão anual, de fazer um check-up à vida e de reparar o que for preciso para que dure, para que funcione bem, para que dê prazer vivê-la!